Dieta cetogênica: o que deve saber

Entre mil e uma dietas da moda, há uma que tem vindo a ganhar cada vez mais entusiastas. Afinal, os resultados são visíveis de forma quase imediata e a alimentação prevista no plano mantém os níveis de saciedade estáveis. Mas há um senão: na dieta cetogênica o consumo de hidratos é praticamente inexistente, o que tem consequências para a saúde.

A dieta cetogênica é extremamente pobre em hidratos de carbono e rica em gorduras. Na prática, quem a segue elimina quase por completo o pão, a massa, o arroz, o feijão, os doces e o leite, para dar primazia a alimentos como os legumes, os ovos, as sementes, a carne e os frutos secos. Numa dieta deste gênero, os hidratos não ultrapassam os 50 gramas diárias e, em casos mais extremos, são totalmente abolidos da alimentação. Esta compensação dos hidratos pela gordura faz com que o corpo seja obrigado a recorrer a outras formas de energia.

Mas afinal o que é a dieta cetogênica?

“Falamos aqui de uma dieta que promove a cetose”, explica a nutricionista Lillian Barros, aproveitando para esclarecer que este processo acontece quando a gordura existente no organismo é processada pelo fígado e dividida em ácidos gordos e corpos cetônicos, estes últimos usados como fonte de energia. “Quando temos glicose no sangue, o que acontece com o consumo de hidratos, a insulina converte esse excesso de açúcar em gordura. Quando diminuímos a ingestão de hidratos, o corpo recorre às reservas de gordura para continuar a funcionar”, refere Lillian Barros.

A especialista garante que os resultados são quase imediatos e que podem ser comprovados pela perda de peso e de volume de forma rápida e intensa. “Mas é importante lembrar que isto acontece porque o corpo entra numa espécie de SOS”, salienta. Lillian Barros defende que esta dieta, a ser feita, deve ter sempre o apoio de um nutricionista.

É uma dieta segura?

A partir do momento em que se elimina um grupo de alimentos, Lillian Barros tem dificuldade em considerar esta dieta segura. “Os hidratos são muito mal vistos, mas erradamente. Nunca devem ser banidos”, explica, aproveitando para lembrar que “nem todos os hidratos são maus” e que estão presentes também nas leguminosas, em vegetais e legumes como a cenoura e a abóbora e também em alguns grãos, como a quinoa. “Todos têm o seu espaço, mesmo as batatas, o arroz e o pão e devem ser incluídos na alimentação do dia-a-dia, de forma equilibrada”, acrescenta.

Uma dieta que não é para todos

Dores de cabeça, tonturas e sintomas semelhantes aos de uma gripe são comuns para quem começa esta dieta. É a forma do corpo reagir à mudança que acontece no organismo. Por isso e tendo em conta que o processo da cetose se dá no fígado – órgão responsável pelo processamento da proteína – que no caso de uma dieta cetogênica pode ser ingerida acima dos valores habituais, Lillian Barros aponta imediatamente os doentes hepáticos como aqueles para quem este tipo de alimentação não é aconselhado. “Na verdade, qualquer pessoa com problemas de saúde não deve apostar numa dieta cetogênica”, alerta a nutricionista.

A nutricionista aponta ainda que os desportistas são outro dos grupos para o qual esta dieta baixa em hidratos não é a mais indicada. “Não que não seja possível praticar desporto com uma dieta rica em gordura, mas o atleta tem que estar preparado para alterações na performance”, refere. Isto porque, sem hidratos de carbono, deixa de haver uma fonte de energia imediata. “Se eu fizer uma refeição com uma mistura de hidratos simples e complexos – mel e aveia, por exemplo -, consigo treinar logo a seguir”. O mesmo não acontece com a gordura, que dificulta e atrasa a digestão.

Apesar das contraindicações, Lillian Barros não exclui por completo que se faça esta dieta, ainda que só a recomende de forma pontual. “Nunca deve ser feita de forma continuada, mas é uma boa opção para quando o corpo estagnou e precisa de um ‘abanão’ para que o metabolismo volte a acelerar”, esclarece. Mas mesmo nestes casos a nutricionista aconselha que, tal como em todas as dietas, ninguém a inicie sem recomendação e posterior acompanhamento médico.